Bloco do Amor faz carnaval respeitoso no DF com inclusão

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Fernando Franq e Ana Flávia Garcia dizem que o Bloco do Amor é o bloco do coração deles - Valter Campanato/Agência Brasil

O Bloco do Amor faz carnaval respeitoso no DF como uma forma de resistência política e poética no coração da capital federal. Aceitar as diferenças é um ato revolucionário e, por esse motivo, o evento se consolidou como um dos espaços mais seguros para a comunidade LGBTQIAPN+. Certamente, a celebração carrega consigo um potencial transformador que promove a paz e o acolhimento em meio à folia brasiliense. Com onze anos de história, o coletivo demonstra que a alegria pode caminhar de mãos dadas com a conscientização social. Foliões celebram a diversidade no centro de Brasília. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil.

O lema do Bloco do Amor faz carnaval respeitoso no DF

Na edição de 2026, o grupo adotou o lema Sonhar como Ato de Existência para nortear as suas atividades. Essa proposta enxerga o sonho e o lúdico como ferramentas fundamentais para a transformação da sociedade. Além disso, a coordenação do evento reforça que ocupar os espaços públicos com afeto é uma maneira de combater preconceitos estruturais. Consequentemente, o ambiente atrai um público extremamente plural que busca diversão sem o medo da discriminação ou da violência.

A coordenadora geral, Letícia Helena, explicou que a diversidade se manifesta também na curadoria musical do bloco. O repertório transita entre o axé retrô, a música eletrônica, o pop contemporâneo, a MPB e o forró. De fato, essa mistura rítmica reflete a proposta de inclusão total, onde todas as tribos encontram o seu lugar. Segundo os organizadores, o bloco movimentou cerca de 70 mil pessoas no ano anterior, confirmando a sua relevância no calendário cultural da região.

  • Ocupação do centro administrativo de Brasília com arte e cultura.
  • Fomento à economia criativa local e aos artistas independentes.
  • Protocolos rígidos de segurança contra o assédio e a intolerância.
  • Ambiente livre para a expressão da identidade de gênero e orientação sexual.
  • Promoção de um carnaval com foco na cidadania e no respeito mútuo.

A história e o propósito da ocupação urbana

Fundado em 2015, o Bloco do Amor nasceu da necessidade de discutir o afeto na frieza arquitetônica de Brasília. Originalmente, o grupo realizava suas edições na Via S2 do Plano Piloto, um local historicamente ligado ao trabalho de profissionais do sexo. Letícia Helena, que é formada em Artes Cênicas pela UnB, recorda que o projeto começou de forma voluntária. No entanto, o rápido crescimento do público exigiu a mudança para a área externa do Museu Nacional da República.

Atualmente, o evento faz parte da Plataforma Monumental, uma estrutura robusta que abriga diversos eventos culturais durante os quatro dias de folia. Embora o tamanho do bloco tenha aumentado drasticamente, a essência permanece a mesma: o respeito à liberdade individual. De acordo com a organização, a preparação envolve treinamentos específicos para a equipe de produção. Esses profissionais aprendem a lidar com situações de vulnerabilidade, garantindo que o lema de que o Bloco do Amor faz carnaval respeitoso no DF seja cumprido na prática.

É importante destacar que os índices de segurança do bloco são exemplares para grandes eventos. Em 2024, por exemplo, a Secretaria de Segurança Pública não registrou ocorrências de violência ou assédio contra mulheres durante a passagem do grupo. Esse resultado positivo é fruto de uma comunicação direta com os foliões sobre a importância do consentimento. Assim, a festa se torna um exemplo de como a conscientização pode reduzir drasticamente os conflitos em ambientes de grande aglomeração.

Experiências e relatos dos foliões em Brasília

Para muitos frequentadores, o Bloco do Amor é considerado um porto seguro no meio da agitação urbana. Fernando Franq e Ana Flávia Garcia, frequentadores assíduos, descrevem o local como o bloco dos corações. Eles acreditam que o ambiente é reverberado por pessoas que se apropriaram do próprio corpo. Nesse sentido, a nudez e a fantasia são vistas com naturalidade e respeito, longe de olhares julgadores ou invasivos. A segurança emocional é, portanto, o maior atrativo para esse casal de artistas.

Outro exemplo de renovação é a bióloga Clarisse Pontes, que escolheu o evento para sua estreia no carnaval de rua. Ela conta que sempre teve receio de brigas e confusões comuns em outras festas populares. Contudo, ao chegar no Museu Nacional, encontrou um cenário de paz e curtição genuína. Da mesma forma, o estudante Alasca Ricarte utiliza sua fantasia para expressar sua identidade bissexual e sua conexão com a mitologia grega. Para ele, o carnaval é a oportunidade anual de ser verdadeiramente livre.

Alasca ressalta que, embora Brasília seja uma cidade com traços conservadores, a resistência cultural é necessária para garantir avanços sociais. Ele afirma que a cidade é um palco de disputas por espaço entre habitantes com ideais distintos. Por isso, a permanência de blocos inclusivos é vital para que a capital pertença a todos os seus cidadãos. Além disso, a presença de jovens engajados demonstra que as novas gerações valorizam ambientes tranquilos e éticos.

Segurança e combate ao assédio na folia

A preocupação com o bem-estar das mulheres é um pilar central da organização do coletivo brasiliense. Ana Luíza, estudante de 25 anos, relatou que já sofreu desrespeito em outros blocos tradicionais, o que a afastou de certas celebrações. Entretanto, ela encontrou no Bloco do Amor um espaço onde homens e mulheres convivem em harmonia. Para ela, o carnaval só é verdadeiramente bom quando a liberdade individual é preservada e incentivada por todos os presentes.

Nesse contexto, as diretrizes de segurança do evento servem como modelo para outras manifestações culturais no Distrito Federal. A implementação de protocolos de acolhimento ajuda a criar uma rede de proteção invisível, mas eficiente. Certamente, essa estrutura organizacional contribui para que as famílias e a comunidade LGBTQIAPN+ se sintam convidadas a ocupar a Esplanada dos Ministérios. O sucesso do Bloco do Amor faz carnaval respeitoso no DF prova que é possível aliar diversão em massa com responsabilidade ética.

Além das questões de segurança, a sustentabilidade e a limpeza urbana também entram na pauta do coletivo. A organização incentiva o uso de materiais biodegradáveis e a correta destinação dos resíduos gerados durante a festa. Dessa maneira, o impacto ambiental é minimizado, respeitando o patrimônio arquitetônico e paisagístico de Brasília. Esse cuidado integral com o evento reforça a imagem de um carnaval moderno, consciente e profundamente conectado com os valores do século XXI.

Em resumo, o Bloco do Amor transcende a definição simples de um grupo carnavalesco para se tornar um movimento social. Através da música, da dança e do brilho, ele comunica mensagens poderosas de aceitação e bom convívio na diversidade. Por fim, a experiência vivida nos arredores da Biblioteca Nacional deixa claro que o amor, quando traduzido em respeito, tem o poder de revolucionar a experiência urbana e proporcionar momentos de felicidade inesquecíveis.

Para entender mais sobre o impacto da cultura na capital, veja como o Carnaval de Brasília tem evoluído nos últimos anos para se tornar mais inclusivo. Além disso, você pode conferir as diretrizes oficiais de eventos no portal da Secretaria de Cultura do DF para ficar por dentro da programação completa.

Fonte:

Agência Brasil, Pedro Peduzzi, https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-02/bloco-do-amor-faz-carnaval-respeitoso-e-livre-de-preconceitos-no-df, Acesso em 14 de fevereiro de 2026 (Adaptado para fins editoriais conforme o tema de 2026).

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